Não me importa mais o passado
Porque canto agora um canto
Que passa pela garganta,
Ainda que apenas arranhado,
E me desfaço, assim,
de vestes rotas vividas...
Nisso, no horizonte,
vejo nascer um tom verde...
E ecoa-me um som
que é meu,
somente meu,
Apenas meu...
Flor, magoada
Já sem cor,
Furtaram-lhe também
o olor!
Esmagada, triste e
Chorosa.
Era cor-de-rosa
O seu amor...
A vida, antes auspiciosa,
Tornou-se sem prosa ou poesia.
Tão dolorosa e vazia quando
seu amor voou...
Mas, como por encanto ou magia,
quando chega um outro dia,
Eis que tudo se transforma...
Seu amor, enfim, retorna
Trazendo-lhe a vida e o viço
E começam outra vez, desde o início,
A flor esquece o passado,
pois sorri feliz nos braços de seu amado...